Segunda-feira, Julho 03, 2006


Tudo é imagem. Mas existem imagens que aproximam, e imagens que afastam da verdade. Atualmente estou à procura de imagens que me aproximem da minha verdade. Uma imagem que me exponha, que me desoculte, e mostre alguma verdade a respeito do que sou.

Por isso meu blog acaba. Ele era uma forma de me esconder, falar sem me mostrar. Era uma das máscaras encobridoras das quais preciso me libertar.

Fim.

Quinta-feira, Junho 15, 2006


Às vezes tenho vontade de fugir. Correr pra bem longe... sumir daqui, e deixar tudo pra trás. Sei que existe uma parte de mim nesse lugar e no meio dessas pessoas. Preciso abrir mão dessa parte, preciso largar, deixar isso escorrer e cair, longe. Tudo é muito confuso, humilhante, triste, agressivo. Não consigo ver uma forma de tornar as coisas melhores. Tinha a esperança de conseguir me tornar apática a isso tudo, mas não dá. São muitos sentimentos oprimidos, escondidos dentro de pessoas que deveriam se amar e não conseguem. O que é família? Não consigo tentar responder. Não consigo... As pessoas que moram comigo só tornam a minha existência mas confusa, triste, deprimente. Elas não conseguem demonstrar o mínimo de afeto umas pelas outras. Só conseguem se afetar nas discussões onde as agressões verbais são inúmeras e profundas. As agressões físicas às vezes são necessárias e deixam marcas que demoram a desaparecer. A distância e o limite entre os corpos parece evidente, mas é só aparência. Ninguém sabe na verdade onde começa e termina. Os corpos estão misturados, juntos, unidos. É um sentindo as dores do outro e brigando por elas, tomando emprestadas as frustrações, os medos as indecisões, sem saber na verdade o que deseja. Ninguém sabe o que quer, e discutem sempre, quando pensam querer o mesmo, e quando se vêem buscando destinos diversos. Não há respeito porque não há limite, ninguém compreende o outro como diferente. É tudo um espelho onde o outro é uma imagem de si mesmo, as vezes agradável, as vezes horrenda.

E o que sobra? O que resta? O que fica? As cicatrizes, ainda abertas, e a vontade de fugir... junto com a ilusão de que longe não existem espelhos.

(E a imagem é a tela do Magritte - Not to be reproduced).

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Muito?


"__Vó, trinta e quatro é muito?
__ Trinta e quatro o que??

__ Trinta e quatro reais.
__ Nossa! É muito!"
Uma das conversas que costumo ouvir pela rua. É... eu sou daquelas que ouve conversas alheias...



Seis é muito? Seis anos de namoro é muito. Eu acho muito, muitos anos para namoro, e eu namoro a todos esses anos.

Pensando nesses anos, nas coisas que aconteceram, nas transformações, uma coisa me chamou muita atenção: Eu não conheço o corpo do meu namorado. Conheço as formas, as pintas, as cicatrizes, os defeitinhos, afinal de contas são seis anos. Mas esse tipo de conhecimento adquirimos com o olhar. Já o conhecimento do qual estou dizendo não adquirimos apenas com o olhar, é necessário algo mais.

Isso é tão estranho. Pra mim é esquisitíssimo, pois o meu corpo grita coisas o tempo todo. Eu adoro receber carinho, massagens e fico chateando todo mundo com essas minhas necessidades. Peço massagem no pé, na nuca, carinho no cabelo.... peço pra minhas primas brincarem de cabeleireiro com meu cabelo, pra minha avó fazer cafuné, pra minha irmã passar hidratante nas minhas costas. O meu namorado sabe que quando estou nervosa a minha nuca endurece, eu reclamo. Ele e as outras pessoas importantes conhecem essas particularidades do meu corpo. Conhecem porque meu corpo precisa dizer.

Já o corpo do qual esse post é assunto , o do meu namorado, não me mostra muito, não me pede muito. Eu não sei qual o lugar que ele sente mais cócegas, nem se ele gosta de carinho, nem os lugares que prefere receber massagem... De vez em quando um cafuné na barriga e só... Não me diz o necessário pra eu conhecê-lo.

Eu preciso dá-lo mais atenção, pra ir descobrindo, conhecendo. Desvendando esse corpo tão diferente e estranho ao meu.


Talvez seis anos seja pouco pra conhecer um corpo.


Quarta-feira, Maio 24, 2006

Raiva

Choro de raiva. Quando estou com muita raiva, com aquela sensação que não existe mais nada no mundo além de você, o ódio e o que provocou sua ira, tenho vontade de chorar...
Geralmente o ódio é suscitado por alguém, que, na maioria das vezes, não merece me ver chorando.
O choro começa com um fraquejo na voz, que vai ficando tremula e some, dando lugar apenas aos soluços e lágrimas. Os soluços e lágrimas são tantos que me impedem até mesmo de falar, gerando dessa forma um incomodo maior ainda.
Depois que a raiva sai de cena, fica o arrependimento de ter dado o prazer de me ver chorando, a quem realmente não o merecia.

E eu me sinto uma criança, que não consegue nem controlar o próprio choro.

Quinta-feira, Maio 04, 2006


A menina chega em casa, muito angustiada por não ter conseguido falar na análise, encontra com sua mãe, que não costuma lhe questionar muito. Sua mãe, por um motivo estranho, resolve perguntar:
__Você anda tão nervosa. O que aconteceu? Por que está tão nervosa?
E a menina assustada responde:
__Não sei mãe. Estou nervosa mesmo, mas não sei explicar.
E sua mãe continua.
__ Onde você estava?

__Eu? na faculdade.
__ Por que você continua indo pra faculdade? Não se formou?
A menina se formou em filosofia no ano passado, mas ainda vai pra faculdade assistir aula.
__ Eu me formei mãe. Mas estou indo pras aulas ainda.
__Por que?
__ Por que vou fazer a prova de mestrado no final do ano, preciso assistir aulas.
Silêncio....

__ E se não passar no mestrado, o que vai fazer?
Muito assustada a menina responde:

__Não sei. não sei.... tentar o mestrado no outro ano. Continuar dando aula pro ensino médio... __Mas você se formou em licenciatura? Não disse que fez bacharelado?
__Fiz bacharelado porque vou fazer mestrado.

Um tempo depois...

__Mãe não se preocupa comigo, eu estou bem.
A mãe estranhamente responde:
__É. Eu estou "jogando" a minhas coisas pra você. Vou perder meu emprego no ano que vem, e não sei o que fazer.

A menina continuou nervosa... E não consegue parar de ir pra faculdade. E também percebeu que não precisa das aulas pro mestrado, mas sim pra esconder outras coisas... que por enquanto ela prefere deixar encobertas.

Na minha vida acontecem umas coisas estranhas. A minha mãe não costuma conversar comigo. Não me pergunta nada. Nada. Como pode um dia vir a mim, e com tanta perspicácia fazer todos esses questionamentos?

Quarta-feira, Maio 03, 2006



Ando sem vontade de escrever... Estou bem desanimada....
Ultimamente não estou conseguindo transformar, traduzir em palavras o que estou sentindo....

Uma vontade tão grande de me libertar desse casulo, em que estou aprisionada a tempos. E quanto mais tento, mais me percebo trancada, enjaulada, enrolada, dentro dele. E ao me esforçar com desespero para tentar sair, só consigo afundar mais. O tempo está tornando as coisas mais sérias. Vou levando lentamente minha vida para um lugar que não esperava chegar, que não queria, que negava, que sempre me recusei a estar. Mas por mais estranho que pareça, é o único lugar que consigo ocupar. É o único porque não sei fazer nada diferente, só sei conduzir as coisas desse modo. Quanto mais tento ser diferente, fazer tudo de outra forma, mais me perco em mim mesma...

Esta minha forma de agir me leva a lugares que conheço, recuso, mas ainda me perco neles. Quando vou encontrar a saída? Talvez o importante agora seja perceber essas coisas... e eu acho que estou começando a me dar conta...

Terça-feira, Abril 18, 2006

Bobagens...



Às vezes sinto uma vontade imensa de "fazer coisa errada". Risos. Fazer coisa errada consiste em estar em determinada situação que eu censuraria num dia que não estivesse a fim de "fazer coisa errada". Quando eu ainda estava na faculdade tinha amigos que me ajudavam nesses dias. Eles me acompanhavam e me proporcionavam momentos muito legais. Momentos que no dia seguinte sempre causavam arrependimento, mas eu nunca optava por não fazê-los. Hoje, não vou mais pra faculdade. Vou trabalhar. Eu até gosto de trabalhar. Estou dando aulas para adolescentes alguns dias de manhã, e para adultos alguns dias à noite. Mas a questão é: tem muito tempo que não faço coisa errada. Meus amigos estão distantes, e eu não consigo ligar e convidá-los pra sair. O legal dos dias de fazer coisa errada é que não eram palnejados,eu chegava na faculdade e simplesmente acontecia. Meus amigos quase sempre estavam no mesmo pathos que eu. Era um olhar e um convite. Estou com muita saudade desses dias. Muita....